quarta-feira, 3 de junho de 2009

Mudanças Parciais de Água

Objectivo das Mudanças de Água

A solução para a poluição é a diluição; mudanças de água substituem a parte "suja" da água com uma quantidade igual de água limpa, conseguindo diluir as concentrações de substâncias indesejáveis no seu aquário. Num aquário estabelecido, os nitratos são a principal toxina que se acumula. Mudanças de água parciais são a mais económica, segura e eficiente forma de manter as concentrações de nitratos a níveis razoáveis. Durante a fase de acondicionamento, no entanto, a amónia ou os nitritos podem ser substâncias que precisem de ser diluídas ou removidas. Também os medicamentos se forem adicionados ao seu aquário podem ter de ser removidos após terem servido o seu objectivo principal.

A eficácia das mudanças de água é determinada por dois factores: a sua frequência e a percentagem de água que é substituída. Quanto mais vezes a água for substituída, ou maior a quantidade substituída maior a eficácia global.

Os benefícios das mudanças de água têm de ser balanceados com o stress causado pela mudança rápida na química da água do seu aquário. Se a água do aquário tiver um pH, GH e KH tal como a água da torneira, mudar 50% (ou mais) da água de uma vez só não afectará os peixes. Por outro lado, se o pH do seu aquário for (por exemplo) 6,3, enquanto a nova água tem um pH de 7,5, trocar metade da água de uma só vez mudará o pH do seu aquário significativamente (possivelmente mais de 50% dependendo dos factores tampão), o que perturbará os peixes, talvez o suficiente para os matar.

Dado que as mudanças de água são a primeira linha de defesa na lida com problemas tais como doenças, você quererá efectuar grandes e frequentes trocas parciais de água durante períodos de emergência. Por isso é desejável que a química da água do seu aquário seja equivalente á da água substituta. Assim, terá sempre a opção de efectuar grandes mudanças num breve período. Note que esta é a forma como os aquários começam; quando montou o aquário, a água era a mesma do que a da torneira. Com o tempo, no entanto, a química da água do seu aquário pode "derivar" relativamente à água da torneira devido à acidificação do ciclo do azoto, à adição de aditivos químicos tais como "incrementador de pH" ou "redutor de pH", ao uso de areão não inerte (e.g. coral esmagado ou conchas), etc.

Com que frequência se devem efectuar trocas de água?

Quanto mais frequentes as trocas, menos água tem de ser trocada. No entanto, quanto mais tempo entre cada troca, maior a perturbação potencial, dado que uma grande quantidade de água é trocada. Trocar mais ou menos 25% da água do seu aquário de 15 em 15 dias é um bom ponto de partida, mas pode não ser suficiente. A frequência própria depende de factores como a carga de peixes no seu aquário. Qualquer que seja o caso, deve fazer trocas de água vezes suficientes de modo a que:
  1. os níveis de nitrato estejam em 50ppm ou abaixo e preferencialmente _MUITO_ abaixo. (menos de 10ppm é um bom valor óptimo);
  2. a mudança na química da água resultante de uma troca de água é pequena. Em particular, o pH antes e depois da troca não deve diferir em mais de 0,2 unidades. (Use um kit de teste as primeiras vezes para ter uma noção do que é acertado). Se o seu pH mudar demasiado em resultado de uma mudança de água, faça trocas com mais regularidade, mas substitua menos água de cada vez.
As mudanças de água removem os nitratos depois de terem sido produzidos. Os compostos de azoto sob a forma de comida de peixe não comida, detritos, etc. também podem ser removidos _ANTES_ de se transformarem em nitratos. Isto consegue-se limpando o seu filtro mecânico e biológico regularmente, e aspirando o areão. Isto deve ser feito sempre que faz uma mudança de água, e.g., cada 15 dias.

Nota: Desligue o aquecedor enquanto troca a agua. O aquecedor pode estalar se o nível de água descer abaixo da resistência aquecedora!

Certifique-se também de retirar o cloro/cloramina da água antes de a adicionar ao aquário! (Veja a secção Tratamento da Água).

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Test Kits Quais são úteis?


Parece existir um sem n�mero de Test Kits para testar tudo, desde n�veis de am�nia at� fosfato. � mesmo necess�rio compr�-los? A resposta r�pida � "n�o". � poss�vel ter um aqu�rio saud�vel sem comprar um �nico test kit. No entanto os Test Kits s�o extremamente �teis a eliminar tentativas de adivinhar quando qualquer coisa corre mal (e.g., os peixes parecem perturbados ou morrem). A seguir descrevem-se os kits de teste que s�o mais �teis e as condi��es em que s�o �teis.

Test kit de Am�nia

Compre um. Os Test Kits de am�nia s�o baratos (1500$00-2500$00) e indicam-lhe se o seu aqu�rio tem n�veis de am�nia elevados. Isto � �til em duas circunst�ncias. Primeiro, durante a fase de acondicionamento do aqu�rio, testes regulares de am�nia indicam-lhe se a primeira fase do ciclo do azoto est� completa. Em segundo, se tiver mortes inexplic�veis de peixes, testar os n�veis de am�nia verifica que o seu filtro biol�gico est� (ou n�o) a trabalhar correctamente. Note que mesmo num aqu�rio j� estabelecido, o filtro biol�gico pode por vezes enfraquecer ou falhar de todo. Causas comuns incluem
  • Falta de limpeza regular (a �gua n�o circula atrav�s de um filtro entupido, onde residem as bact�rias nitrificadoras)
  • Juntar ingenuamente medicamentos (antibi�ticos matam as bact�rias nitrificadoras (ooops) bem como as que transportam doen�as)
  • Ter um filtro muito pequeno para a carga de peixes, etc.
Aten��o: se tiver mortes de peixes e perguntar na "net" (ou numa loja de peixes) por conselhos, a primeira pergunta ser� "Qual era o n�vel de am�nia (e de nitritos)?".

Os n�veis de am�nia s�o medidos em ppm. Com concentra��es t�o baixas como 0,2-0,5 ppm (para alguns peixes), a am�nia causa morte r�pida (consulte a sec��o Acondicionamento para detalhes). Mesmo com n�veis acima de 0,01-0,02 ppm, os peixes ficar�o perturbados. Os Test Kits comuns n�o registam n�veis t�o baixos. Assim, os Test Kits _NUNCA_ detectam am�nia num tanque j� estabelecido. Se o seu test kit detectar _QUALQUER_ am�nia os n�veis j� est�o demasiado altos e a perturbar os peixes. Tome medidas correctivas de imediato trocando �gua e identificando a origem do problema.

Aviso: Amquel "neutralizador de am�nia" e outros aditivos similares s�o incompat�veis com a maioria de Test Kits. A �gua tratada com Amquel indicar� falsos testes positivos de am�nia, mesmo quando a am�nia n�o est� presente. Os Test Kits que usam o m�todo "Nessler" s�o conhecidos por dar leituras falsas nestas condi��es.

Test kit de nitritos

Pode ser que precise de um destes; os kits de nitritos s�o baratos (1500$00-2500$00) e s�o muito �teis nas mesmas circunstancias onde o kit de am�nia � �til. A �nica altura em que um kit de nitritos fornece informa��o que um kit de am�nia n�o fornece � enquanto est� a testar o t�rmino da segunda fase do ciclo do azoto (veja a sec��o ACONDICIONAMENTO). Como no caso da am�nia, se o seu test kit detecta nitritos, o seu filtro biol�gico n�o est� a trabalhar adequadamente. Uma vez o tanque acondicionado, os kits de nitritos s�o quase in�teis. (se o filtro biol�gico num aqu�rio estabelecido n�o est� a trabalhar, ambos, a am�nia e os nitritos ser�o elevados.)

Os nitritos s�o em ordem de grandeza menos t�xicos do que a am�nia. Por isso, costuma-se dizer acerca de um aqu�rio que est� em acondicionamento: "se os peixes sobreviverem ao pico de am�nia, provavelmente sobreviver�o ao pico de nitritos e ao resto do processo de acondicionamento". No entanto mesmo a n�veis 0,5 ppm, os peixes ficam perturbados. Concentra��es de 10-20 ppm s�o mortais.

Test kit de Nitratos

Compre este kit! Os n�veis de nitratos aumentam com o tempo em aqu�rios estabelecidos como resultado do ciclo do azoto. (A �nica excep��o a esta regra s�o os aqu�rios densamente plantados e alguns aqu�rios de recife , que _PODEM_ conseguir consumir o azoto mais depressa do que � produzido). Dado que os nitratos s�o t�xicos em altas concentra��es, t�m de ser removidos periodicamente (e.g., atrav�s de mudan�as parciais de �gua). Ter um test kit de nitratos ajuda a determinar se as suas mudan�as parciais de �gua est�o a remover suficientes nitratos.

Os nitratos s�o t�xicos para os peixes (e para as plantas) a n�veis de 50-300 ppm. dependendo da esp�cie de peixe. Para crias, no entanto, s�o t�xicas concentra��es muito inferiores.

Nota: Um test kit de nitratos � apenas de valor limitado para determinar se o ciclo do azoto terminou. Muitos Test Kits de nitratos actualmente convertem os nitratos em nitritos numa primeira fase, e ent�o testam a concentra��o de nitritos. Isto �, na realidade medem a concentra��o combinada de nitratos e de nitritos. Num aqu�rio estabelecido, os n�veis de nitritos s�o essencialmente zero, e os kits medem correctamente os n�veis de nitrato. Enquanto um tanque est� em acondicionamento, no entanto, um kit de nitratos n�o lhe pode dizer qual a parte de leitura que vem dos nitratos e qual a que vem dos nitritos.

Test kit de pH

Compre um; estes kits s�o extremamente baratos, por isso n�o h� desculpa para n�o ter um. Querer� saber o pH da sua �gua da torneira de modo a seleccionar peixes cujas exig�ncias sejam compat�veis com as condi��es da sua �gua. Al�m disso, querer� periodicamente verificar o pH do seu aqu�rio de modo a assegurar-se que permanece est�vel e que n�o aumenta ou diminui muito ao longo do tempo.

Nalguns casos, a decora��o do aqu�rio (e.g., troncos) ou are�o (e.g., feito de coral, conchas ou calc�rio) mudam o pH da sua �gua. Por exemplo, alguns artefactos podem lentamente libertar i�es na �gua do seu aqu�rio, aumentando o GH e o KH (e o pH). Com madeira petrificada, � vulgar a madeira lentamente libertar taninos que baixam o pH.

Test kit de Dureza geral (GH)

Pode ser importante ter um destes, mas n�o � imprescind�vel. N�o precisa de saber o n�vel exacto de dureza. Saber se a sua �gua � "macia" ou "muito macia" � o suficiente. A sua loja local de peixes poder� fornecer-lhe informa��o suficiente. Em alternativa telefone para os servi�os municipalizados (veja a sec��o �gua da torneira nesta FAQ).

Test kit da dureza dos carbonatos (KH)

N�o � critico ter este kit. Monitorando regularmente o pH, pode deduzir se o seu KH � "suficientemente alto". Isto �, o KH deve ser alto de modo ao seu pH se manter est�vel ao longo do tempo. Se tiver dificuldade em manter o pH est�vel, pode ter necessidade de aumentar a capacidade tamp�o do seu aqu�rio. A sua loja local de peixes pode ser capaz de lhe dar esta informa��o. Em alternativa telefone para os servi�os municipalizados.

Um test kit de KH �, no entanto, indispens�vel para entusiastas de plantas que usam injec��o de CO2. Tamb�m � altamente recomendado arranjar um se quiser mudar o pH da sua �gua, e � uma ferramenta de diagn�stico muito �til se tiver problemas de estabilidade de pH.

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Química da Água

O que precisa de saber acerca da química da água e porquê

A água na natureza raramente é pura no sentido de "água destilada"; contém sais dissolvidos, substâncias tampão ; nutrientes, etc., com concentrações várias dependendo das condições locais. Os peixes (e as plantas) evoluíram ao longo de milhões de anos para as condições de água especificas dos seus habitates nativos e podem não conseguir sobreviver em ambientes significativamente diferentes.

Os principiantes (especialmente os preguiçosos) devem efectuar uma abordagem fácil na tarefa de seleccionar peixes cujas necessidades estejam de acordo com as qualidades da sua água da torneira. Pelo contrário um aquariofilista avançado (e energético!) pode mudar as características da água de modo a condizerem com as necessidades dos peixes, embora fazê-lo é quase sempre mais difícil do que parece a principio. Em qualquer dos casos, precisa de saber o suficiente acerca da química da água de modo a assegurar-se que a água no seu aquário tem as características certas para os peixes que mantém.

A água tem 4 propriedades mesuráveis que são normalmente usadas para caracterizar a sua química. São o pH, capacidade tampão ;dureza geral e salinidade. Há também vários nutrientes e elementos residuais.

pH

O pH refere-se à água ser um ácido, uma base, ou nenhum deles (neutra). Um pH de 7 diz-se neutro, um pH abaixo de 7 é "ácido" e um pH acima de 7 é "básico" ou "alcalino". Tal como a escala de Richter usada para medir terramotos, a escala do pH é logarítmica. Um pH de 5,5 é 10 vezes mais ácido do que água com um pH de 6,5. Assim, alterar um pouco o pH (de repente) é uma mudança mais química (e mais perturbadora para os peixes) do que poderia parecer.

Para que tem peixes, dois aspectos do pH são importantes. Primeiro, mudanças rápidas no pH são perturbadoras para os peixes e devem ser evitadas. Sabe-se que mudar o pH mais de 0,3 unidades por dia causa perturbação nos peixes. Assim, é importante que o pH do seu aquário permaneça constante e estável durante muito tempo. Em segundo lugar, os peixes adaptaram-se a sobreviver num dado (por vezes pequeno) intervalo da escala de pH. Deve ter a certeza que o pH do seu aquário é compatível com as necessidades especificas dos peixes que mantém.

Muitos peixes conseguem adaptar-se a um pH um pouco fora do intervalo óptimo. Se o pH da sua água está normalmente no limite 6,5 a 7,5, pode manter a maioria das espécies de peixes sem qualquer problema. Se o seu pH permanece neste intervalo, não há provavelmente necessidade de ajuste para cima ou para baixo.

Capacidade tampão (KH, Alcalinidade)

A capacidade tampão refere-se à capacidade da água de manter estável o seu pH à medida que se adicionam ácidos ou bases. A capacidade tampão e o pH estão interligados, embora se pudesse pensar que adicionar iguais volumes de ácido e de água neutra resultasse num pH intermédio, isto raramente acontece na prática. Se a água tem capacidade tampão suficiente, esta absorve e neutraliza o ácido adicionados em mudar significativamente o pH. Conceptualmente, um tampão age como uma esponja. À medida que se adiciona mais ácido, a "esponja" absorve o ácido sem grande alteração do pH. A capacidade da esponja é limitada no entanto; assim que a capacidade tampão se gasta, o pH muda mais rapidamente à medida que se adiciona ácido.

O tampão tem consequências positivas e negativas. Pelo lado positivo, o ciclo do azoto produz ácido nítrico (nitrato). Sem capacidade tampão ,o pH do seu aquário baixaria ao longo do tempo (isto é mau). Com capacidade tampão suficiente, o pH fica estável (isto é bom). Pelo lado negativo, a água dura da torneira quase sempre tem uma grande capacidade tampão. Se o pH da água não é demasiadamente alto para os seus peixes, a capacidade tampão torna difícil baixar o pH para um valor mais apropriado. Tentativas ingénuas de mudar o pH da água falham normalmente por se ignorar o efeito tampão.

Nos aquários de água doce, a maior parte da capacidade tampão deve-se a carbonatos e bicarbonatos. Assim, os termos "dureza dos carbonatos" (KH), "alcalinidade" e "capacidade tampão" são usados indistintamente. Embora tecnicamente não signifiquem a mesma coisa, são equivalentes na prática no contexto da aquariofilia. Nota: o termo "alcalinidade" não deve ser confundido com o termo "alcalina". Alcalinidade refere-se à capacidade tampão, enquanto alcalina refere-se a uma solução que é base (i.e., pH>7)

Qual a quantidade tampão que o seu aquário necessita? Muitos kits de teste da capacidade tampão do seu aquário, medem o KH. Quanto maior o KH, maior a resistência a mudanças de pH da sua água. O KH de um aquário deverá ser suficientemente alto para evitar variações de pH ao longo do tempo. Se o KH for inferior a sensivelmente 4,5 dH, deve prestar especial atenção ao pH do seu aquário (e.g., teste semanalmente, até ter uma ideia da estabilidade do pH do aquário). Isto é _ESPECIALMENTE_ importante se não troca muitas vezes a água. Em particular, o ciclo do azoto cria uma tendência para o pH de um aquário estabilizado diminuir ao longo do tempo. O montante exacto da variação do pH depende da quantidade e da taxa de produção de nitratos, bem como do KH. Se o seu pH cair mais do que sensivelmente 0,2 ao longo de um mês, deve considerar aumentar o KH ou fazer mudanças parciais de água mais vezes. O KH não afecta os peixes directamente, assim não há necessidade de compatibilizar as espécies de peixes com um dado KH.

Nota: Não é boa ideia usar água destilada no seu aquário. Por definição, a água destilada não tem qualquer KH. Isso significa que adicionando mesmo uma pequena quantidade de ácido existirá uma variação considerável de pH (perturbando os peixes). Devido à sua instabilidade, a água destilada (ou qualquer outra água pura) nunca é usada directamente. Agua da torneira ou outros sais devem ser adicionados de modo a aumentar o GH e o KH.

Dureza geral (GH)

A dureza geral (GH) refere-se à concentração dissolvida de magnésio e iões de cálcio. Quando se diz que os peixes preferem água "macia" ou "dura", isto é o GH (não o KH) que está a ser referido.

Nota: o GH, o KH e o pH formam o Triângulo das Bermudas da química da água. Embora estas três propriedades sejam distintas, todas interagem entre si a vários níveis, tornando difícil ajustar uma sem qualquer impacto nas outras. Isto é uma das razões porque os aquariofilistas principiantes são aconselhados a _NÃO_ mexer nestes parâmetros a não ser em caso de absoluta necessidade. Por exemplo, as fontes calcárias fornecem normalmente água "dura". O calcário contem carbonato de cálcio, que quando dissolvido na água aumenta o GH (do cálcio) e o KH (dos carbonatos). Aumentando o KH normalmente também se aumenta o pH. Conceptualmente, o KH actua como uma "esponja" absorvendo o ácido presente na água, aumentando o pH desta.

A dureza da água segue as seguintes linhas de orientação. A unidade dH significa "grau de dureza", enquanto ppm significa "partes por milhão", o que é sensivelmente equivalente a mg/L de água. 1 unidade dH equivale a 17,8 ppm CaCO3. Muitos kits de teste dão a dureza em unidades de CaCO3; isto significa que a dureza é equivalente a essa quantidade de CaCO3 na água mas não significa que provenha efectivamente do CaCO3.

        Dureza Geral

0 - 4 dH, 0 - 70 ppm : muito macia
4 - 8 dH, 70 - 140 ppm : macia
8 - 12 dH, 140 - 210 ppm : dureza média
12 - 18 dH, 210 - 320 ppm : alguma dureza
18 - 30 dH, 320 - 530 ppm : dura
superior: rocha liquida (Lago Malawi e Los Angeles, CA)

Salinidade

A salinidade refere-se à quantidade total de substâncias dissolvidas. As medidas de salinidade contam ambos os componentes GH e KH bem como outras substâncias como o sódio. Saber a salinidade da água torna-se importante em aquários de água salgada. Em aquários de água doce, saber o pH, GH e KH é suficiente.

A salinidade é usualmente expressa em termos da sua gravidade específica, a relação do peso de uma solução para o peso de igual volume de água destilada. Dado que a água se expande quando aquecida (mudando de densidade), usa-se uma temperatura comum de referência de 15�C. A salinidade é medida com um densímetro, que é calibrado para uso a uma dada temperatura (e.g., 24�C é o normal).

Um componente da salinidade que nem o GH nem o KH incluem é o sódio. Alguns peixes de água doce toleram (ou mesmo preferem) uma pequena quantidade de sal (estimula o crescimento de escamas). Além do mais, os parasitas (e.g., íctio) não toleram o sal de todo. Assim, sal em concentrações de (até) 1 colher de sopa por cada 20 litros podem mesmo prevenir e curar o íctio e outras infecções parasitárias.

Por outro lado, algumas espécies de peixes não toleram bem _QUALQUER_ sal. Peixes sem escamas(em geral) e a maioria dos peixe-gato Corydoras são muito mais sensíveis ao sal do que a maioria dos peixes de água doce - Junte sal apenas se tiver a certeza de que todos os habitantes do seu aquário o preferem ou conseguem pelo menos tolerá-lo.

Nutrientes e elementos residuais

Além do GH, KH, pH e salinidade, existem mais algumas substâncias que deve conhecer. A maioria da água da torneira contém um conjunto de nutrientes e elementos residuais em muito baixas concentrações. A presença (ou ausência) de elementos residuais pode ser importante em algumas situações, especificamente:
  • nitratos, que são discutidos em grande detalhe nesta FAQ em conjunção com o ciclo de azoto;
  • Fosfatos, o segundo mais proeminente nutriente. Os fosfatos têm sido ligados ao crescimento de algas. Se tem persistentes problemas com algas, um alto nível de fosfatos pode ser o factor contribuinte. Num aquário com plantas, os níveis de fosfatos ideais são 0,2 mg/L ou menos. Para controlar as algas, trocas frequentes de água são muitas vezes recomendadas para reduzir o nível de nutrientes. Se a água da sua torneira contem excesso de fosfatos, as trocas podem agravar a situação. A sua companhia de água local pode dizer-lhe qual é o nível exacto de fosfatos.
  • Ferro, magnésio e outros elementos residuais. As plantas precisam de ferro pequenas quantidades para crescerem. A água da torneira em muitas áreas não contem qualquer ferro. Consulte a FAQ de plantas para mais detalhes.

Alterar a química da água

Endurecer a sua água (aumentar o GH e/ou o KH)

As medidas seguintes são aproximadas; use um kit de teste para verificar que atingiu os resultados pretendidos.

Para subir ambos o GH e o KH simultaneamente, junte carbonato de cálcio (CaCO3). 1/2 colher de chá por cada 50 litros de água aumentará ambos o KH e o GH em cerca de 3-4 dH. Alternativamente, junte algumas conchas, corais, calcário, pedaços de mármore, etc. ao seu filtro.

Para subir o KH sem subir o GH, junte bicarbonato de sódio (NaHCO3). Uma colher de chá por cada 50 litros aumenta o KH em cerca de 4 dH. O bicarbonato de sódio leva a um valor de equilíbrio de 8,2.

Subir e baixar o pH

Pode-se subir ou baixar o pH juntado químicos. Devido ao efeito tampão, no entanto, o processo é difícil de efectuar. Aumentar ou baixar o pH (de forma estável) envolve na realidade mudar o KH. A melhor aproximação é adicionar um tampão cujo equilíbrio mantenha o pH no nível desejado.

Ácido muriático (hidrocloridrico) pode ser usado para baixar o pH. Note que a quantidade exacta depende da capacidade tampão da água. De facto, usa-se ácido suficiente para gastar toda a capacidade tampão. Uma vez isto feito, baixar o pH é fácil. No entanto deve-se notar que o pH baixo resultante tem muito menos tampão KH do que antes, tornando muito mais susceptíveis a variações de pH quando (por exemplo) o nível de nitratos sobe. Cuidado: Deve-se dizer que os ácidos são _MUITO_ perigosos! Não use este método a não ser que saiba o que está a fazer, e deve tratar a água _ANTES_ de a adicionar ao aquário.

Produtos como o "redutor de pH" são baseados num tampão de ácido fosfórico. O ácido fosfórico tende a manter o pH em 6,5 dependendo da quantidade usada. Infelizmente o uso de ácido fosfórico tem o _GRANDE_ efeito colateral de aumentar o nível de fosfatos no aquário, estimulando o crescimento de algas. É difícil controlar o crescimento de algas num aquário com elevados níveis de fosfatos. A única vantagem sobre o ácido clorídrico é que o pH fica de certo modo com a capacidade tampão no seu valor mais baixo.

Uma maneira segura de baixar o pH _SEM_ ajustar o KH é borbulhar CO2 (dióxido de carbono) através do aquário. O CO2 dissolve-se na água, e algum forma ácido carbónico. A formação de ácido baixa o pH. É claro, de modo a este método ser prático, uma fonte constante de bolhas de CO2 (e.g., uma botija de CO2) é necessária para manter o nível de pH fixo. Assim que o CO2 desapareça, o pH regressa ao seu valor anterior. O alto custo dos sistemas de injecção de CO2 põe de lado o seu uso como técnica de manter o pH na maioria dos aquários (assim veja a FAQ de plantas para alternativas baratas faça-voçê-mesmo). Os sistemas de injecção de CO2 são altamente populares em aquários densamente plantados, porque o CO2 adicional estimula o crescimento das plantas.

Amaciar a água (i.e., baixar o GH)

Alguns peixes (e.g., discus, tetras cardinal, etc.) preferem água macia. Embora possam sobreviver em água dura, dificilmente procriarão nela. Assim, pode ser necessário suavizar a sua água mesmo com as dificuldades envolvidas no processo.

Os métodos caseiros de amaciar a água usam uma técnica conhecida como "troca de iões". Isto é, removem os iões de cálcio e de magnésio substituindo-os por iões de sódio. Embora isto faça tecnicamente a água mais macia, a maioria dos peixes nem nota a diferença. Isto é, os peixes que preferem a água macia também não gostam de sódio, e para eles tais amaciadores não ajudam em nada. Assim, os amaciadores caseiros não são um método apropriado para suavizar a água para uso em aquários.

As lojas de peixes também vendem "almofadas suavizadoras de água". Usam o mesmo principio de "troca de iões". "Recarrega-se" a almofada num banho de água salgada, depois coloca-se no aquário onde os iões de sódio são libertados na água e substituídos por iões de cálcio e magnésio. Após algumas horas ou dias, a almofada (juntamente com o cálcio e o magnésio) é removida e recarregada. As almofadas vendidas em lojas são demasiado pequenas para funcionar bem na prática e não devem ser usadas pelas mesmas razões citadas em cima.

A turfa suaviza a água e reduz a sua dureza (GH). A maneira mais eficiente de suavizar a água usando turfa é arejar a água durante 1 a 2 semanas num balde que contenha turfa. Por exemplo, arranje uma balde (de plástico) de tamanho apropriado. Depois arranje uma grande quantidade de turfa (4 litros), coza-a (de modo a afundar), forre com ela uma fronha, e coloque-a no balde de água. Use uma bomba de ar para arejar. Em 1 ou 2 semanas, a água estará macia e mais ácida. Use esta água envelhecida para fazer mudanças parciais de água no seu aquário.

A turfa pode-se comprar em casas de aquários mas é cara. É muito mais económico comprar em grosso numa loja de jardinagem. Leia o rótulo cuidadosamente! Não deve usar turfa que contenha fertilizantes ou outros aditivos.

Embora haja quem coloque turfa nos filtros dos aquários, esta técnica tem desvantagens. Primeiro, a turfa entope facilmente, por isso usar turfa nem sempre é eficiente. Em segundo lugar, a turfa pode facilmente turvar a água do seu aquário. Em terceiro, a quantidade exacta de turfa necessária para efectivamente suavizar a sua água é difícil de estimar. Usar a quantidade errada produz uma química da água errada. Por fim, quando fizer trocas de água, a química da água do seu aquário muda quando adicionar nova água (tem as características erradas). Durante os dias seguintes, a química muda á medida que a turfa produz efeito. Usando água envelhecida ajuda a assegurar que a química do seu aquário não flutua enquanto faz mudanças parciais de água.

A água dura também pode ser suavizada diluindo-a com água destilada ou com água RO. Água RO é água purificada através de uma unidade de osmose inversa ("Reverse Osmose" em Inglês). Infelizmente os filtros de osmose inversa são demasiado caros para muitos aquariofilistas. Água RO só pode ser comprada em algumas lojas de peixes, mas para a maioria a despesa e o trabalho não o justificam. O mesmo se aplica à água destilada comprada em mercearias.

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O Ciclo do Azoto e o Síndrome do Novo Aquário

O que é o Ciclo do Azoto?

Tal como todas as criaturas vivas, os peixes libertam excrementos (xixi e cócó). Estes compostos à base de nitrogéneo decompõem-se em amónia (NH3),que é altamente tóxica para a maioria dos peixes. Na natureza, o volume de água por peixe é extremamente alto, e os resíduos diluem-se para baixas concentrações. No aquário, ao contrário, pode demorar tão pouco como algumas horas para que as concentrações de amónia atinjam níveis tóxicos.

Quanta amónia é demais? A resposta rápida é: se um kit de teste é capaz de a medir, já é demais (i.e. está em concentrações que pode prejudicar os peixes). Considere acções de emergência (mudanças de água, zeólitos, argila) para reduzir o perigo. (uma discussão mais detalhada da toxicidade da amónia está mais à frente nesta secção.)

Falando em termos de aquários, o "ciclo do azoto" (mais precisamente, o ciclo de nitrificação) é o processo biológico que converte a amónia noutros, relativamente inofensivos, compostos de azoto. Felizmente, existem bactérias que fazem esta conversão para nós. Algumas espécies convertem amónia (NH3) para nitritos (NO2-), enquanto outras convertem os nitritos para nitratos (NO3-). Assim "fazer o ciclo do o aquário" refere-se ao processo de estabelecer colónias de bactérias no substrato filtrante que convertem amónia -> nitritos -> nitratos.

As espécies desejáveis de bactérias nitrificadoras estão presentes em todo o lado (e.g. no ar). Portanto assim que tiver amónia no aquário é apenas uma questão de tempo antes que as bactérias desejáveis estabeleçam uma colónia no substrato do seu filtro. A melhor maneira de conseguir isto é colocar um ou dois (ênfase no UM ou DOIS) peixes resistentes e baratos no seu aquário. Os detritos dos peixes contém amónia da qual as bactérias vivem. Não dê comida a mais! Mais comida significa mais amónia! Sugestões para algumas espécies são: peixes dourados comuns (para tanques de água fria), zebras, barbos para tanques de água quente e peixes donzela em aquários de água salgada.

cycle

Durante o processo de ciclo, os níveis de amónia vão subir e depois repentinamente baixar à medida que as bactérias formadores de nitritos se estabelecerem. Dado que as bactérias formadoras de nitrato só começam a aparecer quando houver nitritos presentes em quantidade suficiente, os níveis de nitrato vão disparar (à medida que a amónia acumulada é convertida), continuando a subir à medida que a amónia produzida é convertida em nitritos. Uma vez as bactérias formadoras de nitratos estejam estabelecidas, os níveis de nitritos vão cair, os níveis de nitratos vão subir, e o aquário está em ciclo.

O seu aquário estará totalmente em ciclo assim que haja produção de nitratos (e os níveis de amónia e de nitritos sejam zero). Para determinar quando o ciclo está completo, compre os kits de teste apropriados (veja a secção de Test Kits) e meça os níveis, ou leve uma amostra de água à loja de peixes deixando-os efectuar os testes por si (talvez por uma pequena quantia). O processo de ciclo demora normalmente entre 2 a 6 semanas. A temperaturas abaixo de 21C, demora mais a fazer o ciclo do aquário. Em comparação com outros tipos de bactérias, as bactérias nitrificadoras crescem lentamente. Em condições óptimas, são precisas 15 horas para uma colónia duplicar de tamanho!

Muitas vezes é possível acelerar o tempo de ciclo. Alguns procedimentos comuns são descritos mais abaixo nesta secção.

Cuidado: EVITE A TENTAÇÃO DE COMPRAR MAIS PEIXES ATÉ QUE O SEU AQUÁRIO TENHA EFECTUADO O CICLO COMPLETO! Mais peixes significam maior produção de amónia, prejudicando o seu bem estar e provavelmente causando mortes. Uma vez atingidos níveis de amónia altamente prejudiciais ou tóxicos, o seu aquário sucumbiu ao "Síndroma do aquário novo", o aquário ainda não está totalmente em ciclo e a amónia acumulada tem concentrações letais para os peixes.

Quanta amónia é demais?

Num aquário estabelecido, a amónia não deve ser detectada usando os test kits comuns, disponíveis nas lojas. A presença de níveis detectáveis indica que o iltro biológico não está a trabalhar em condições, ou porque o aquário ainda não estabilizou completamente, ou porque o filtro não está a funcionar de forma adequada (e.g. demasiado pequeno para a carga de peixes, entupido, etc.) É imperativo que trate do problema (o filtro) conjuntamente com os sintomas (altos níveis de amónia).

A concentração letal para os peixes varia entre espécies; algumas são mais tolerantes do que outras. Além disso, outros factores, tais como a temperatura da água e a química têm um papel importante. Por exemplo, a amónia (NH3) muda continuamente para amoníaco (NH4+) e vice-versa, com as concentrações relativas de cada um dependendo da temperatura da água e do pH. A amónia é extremamente tóxica: o amoníaco é relativamente inofensivo. A altas temperaturas e pH, há mais azoto na forma de amónia do que com um baixo pH.

Os test kits comuns medem a amónia total (amónia + amoníaco) sem distinguir entre as duas formas. O quadro seguinte dá-nos a quantidade máxima de amónia-N em mg/L (ppm) que pode ser considerada segura a uma dada temperatura e pH. De novo, note que um aquário com um filtro biológico estabelecido não terá amónia detectável; este quadro é apenas para fins de emergência. Se os seus níveis se aproximam ou excedem os níveis mostrados, tome medidas de emergência IMEDIATAMENTE

                  Temperatura da água
pH 20C(68F) 25C(77F)
________________________________
6.5 15.4 11.1
7.0 5.0 3.6
7.5 1.6 1.2
8.0 0.5 0.4
8.5 0.2 0.1

Minimize o stress dos peixes durante o ciclo

Se os níveis de amónia se tornarem altos durante o processo de ciclo devem ser tomadas medidas correctivas de modo a prevenir a morte dos peixes. Provavelmente será necessário efectuar uma sequência de mudanças parciais de água, diluindo a amónia para níveis seguros.

Como medida de precaução final, vários produtos comerciais (i.e. "Amquel ou "Amno-Lock") neutralizam com segurança a toxicidade da amónia. Amquel não remove a amónia, apenas neutraliza a sua toxicidade. Filtragem biológica é sempre necessária para converter a amónia (neutralizada) em nitritos e nitratos. Assim, adicionando Amquel, a amónia produzida pelos peixes é neutralizada instantaneamente, no entanto ainda permite a continuação do ciclo do azoto. Usar Amquel durante a fase de ciclo tem, no entanto, uma significante desvantagem. Amquel e produtos similares podem provocar falsas leituras em test kits, tornando difícil determinar exactamente quando o ciclo se completou. Veja a secção test kits para mais detalhes.

Também é possível fazer o ciclo de um aquário sem adicionar peixes. O papel dos peixes no processo de ciclo é apenas a produção constante de amónia; o mesmo efeito consegue-se adicionando formas químicas de amónia manualmente (e.g. cloreto de amoníaco). No entanto é uma pouco mais complicado do que usar peixes porque a química da água precisa de ser controlada mais de perto de modo a adicionar a quantidade certa de amónia diariamente.

Acelerando o processo de ciclo

O ciclo do azoto pode ser acelerado ou ter uma boa ajuda de diversas maneiras. Infelizmente requerem o acesso a um aquário já estabelecido, o que um aquariofilista principiante pode não ter disponível. A ideia principal é encontrar um aquário já estabelecido, tirar algumas das bactérias e colocá-las no novo aquário.

Muitos filtros têm uma esponja ou lã no interior, à qual as bactérias nitrificantes aderem. Colocando todo ou parte desse conteúdo (proveniente de um aquário estabelecido) no interior do filtro do novo aquário acelera um pouco as coisas.

Se o aquário já estabelecido usa um filtro de fundo, as bactérias nitrificadoras aderem ao areão. Leve algum do areão (uma chávena ou mais) e suspenda-o, embrulhado num saco de pano, dentro do seu filtro (se possível), ou disponha-o por cima do areão do aquário novo (se este tiver um filtro de fundo).

Se tiver um filtro externo, de esponja ou de canto, ligue-o a um aquário estabelecido e deixe-o funcionar durante mais ou menos uma semana. As bactérias na água irão estabelecer uma colónia no novo filtro. Após uma semana mude o filtro, já "cultivado", para o novo aquário.

Ultimamente, produtos que contêm colónias de bactérias nitrificadoras estão disponíveis nas lojas de animais (e.g. "Fritz", "Bio-zyme", "Cycle"). Em teoria, adicionar bactérias acelera o processo de colonização. A experiência na "net" com estes produtos tem sido contraditória: algumas pessoas têm sucesso, enquanto outras avisam que não funciona de todo. Em princípio, tais produtos deveriam funcionar bem. No entanto, as bactérias nitrificadoras não conseguem viver indefinidamente sem oxigénio e alimento. Assim, a eficácia do produto depende da sua frescura e pode ser afectada por uma má utilização (e.g. sobreaquecimento). Infelizmente, estes produtos não vêm com data de embalagem, assim não há forma de saber a idade que têm.

Algumas (não muitas) lojas de aquários fornecem aos compradores uma chávena de areão de um aquário já estabelecido. Uma palavra de cuidado é apropriada nesta altura. Devido à natureza do negócio, os aquários das lojas muito provavelmente contêm agentes patogénicos indesejáveis (bactérias, parasitas, etc.), não quer certamente inseri-los num aquário já em ciclo. Para alguém que está a montar o seu primeiro aquário, no entanto, todos os peixes serão provavelmente comprados nessa mesma loja, assim o perigo é relativamente pequeno, dado que os novos peixes já estiveram expostos aos mesmos agentes patogénicos. Se possível faça o ciclo com bactérias que não sejam provenientes de um aquário de uma loja.

Claro que há muitas variações ao que foi dito que também funcionam. No entanto, é um pouco difícil dar uma receita exacta que funcione de certeza. O melhor é usar uma atitude conservadora e não adicionar peixes muito rapidamente. Além disso, teste a água para se certificar que os nitratos estão a ser produzidos, eliminando o trabalho de adivinhar quando o seu aquário está em ciclo.

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Tratamento da Água

Água Canalizada

Muitas pessoas usam água da torneira no aquário; é mais barata e fácil de usar. Infelizmente (para os aquariofilistas), as companhias da água adicionam químicos à agua de modo a torná-la segura para beber (e.g., cloro, cloramina para matar as bactérias). Mais recentemente, preocupações acerca da água em velhos tubos de chumbo provocou que se começasse a adicionar químicos que aumentam o pH à água (porque o chumbo dissolve-se menos em água alcalina). Consequentemente, a água da torneira tem de ser especialmente tratada antes de ser utilizada com segurança em aquários de peixes.

Outro problema potencial tem a ver com as variações nas propriedades químicas do fornecimento de água ao longo do tempo (e.g., mês a mês). Algumas zonas não têm água suficiente, vendo-se assim obrigadas a comprar água a zonas vizinhas em tempo de escassez. Se essa água tiver propriedades químicas diferentes (e.g. dureza), a química da água da torneira vai também variar. Como exemplo comum, altos níveis de bactérias são um problema maior no Verão do que no Inverno, especialmente em climas quentes. Em consequência, não é invulgar as companhias usarem mais cloro nos meses de Verão para manter as bactérias sob controlo. Até mesmo os factores como o tempo local podem ter impacto; fortes chuvas podem ter como causa uma baixa na dureza do seu fornecimento de água à medida que os reservatórios locais se enchem.

Em geral o cloro e a cloramina são os dois aditivos que causam maiores problemas. Note que estas duas substâncias são MUITO DIFERENTES! Assegure-se que sabe o que existe na água da sua torneira e trate-a de forma correcta.

Cloro

Nos EUA, as orientações exigem que a água da rede em qualquer torneira contenha uma concentração mínima de cloro de 0,2ppm, reduzindo assim a concentração de bactérias (estas podem exigir mais do que 0.2 ppm de cloro para serem mantidas sob controlo). Dado que o cloro se decompõe com o tempo, a concentração de cloro que surge em sua casa é menor do que a que é colocada na origem. Assim a concentração exacta na torneira depende da distância do abastecimento, quanto tempo demora a chegar do abastecimento a sua casa, quanto cloro é inicialmente adicionado.

O cloro em altas concentrações é fatal para os peixes; em baixas concentrações perturba os peixes danificando-lhes as guelras.

Concentrações tão baixas como 0.2-0.3 ppm matarão a maioria dos peixes bastante depressa. Para prevenir perturbações as concentrações máximas admissíveis são da ordem de 0.003 ppm. Felizmente o cloro pode ser facilmente removido da água através do químico tiosulfato de sódio, disponível em lojas de peixes nas mais variadas marcas. O tiosulfato de sódio neutraliza o cloro instantaneamente. Note que existem muitos produtos de "tratamento de água" publicitados como "torna a agua da torneira segura". Leia os rótulos cuidadosamente. Inevitavelmente, todos os que neutralizam o cloro contém tiosulfato de sódio, mais outras substâncias que podem ou não ser úteis. Se a sua água contém apenas cloro (ao contrário da cloramina), tiosulfato de sódio é tudo o que precisa. O tratamento com um custo mais eficiente consiste numa gota por cada 4 litros de água. Muitos outros tratamentos são muito mais caros a longo prazo; podem requerer um colher de chá (ou mais) por cada 4 litros!

O cloro é relativamente instável na água, escapando-se para a atmosfera por si próprio. A água num balde (ou aquário) com adequada circulação (e.g. filtro ou pedra difusora) ficará sem cloro ao fim de 24 horas ou menos.

Muitas pessoas na net dizem que não fazem qualquer tratamento à água da torneira sempre que efectuam mudanças parciais de água. Tenha em atenção que, embora os peixes não exibam APARENTEMENTE sinais de doença, isso não significa que o cloro não esteja a afectar os peixes. O nível de perturbação depende do nível de cloro introduzido no aquário, que depende de muitos outros factores (incluindo a percentagem de água adicionada). Dado que os removedores de cloro são tão baratos a segurança que fornecem não deve ser desprezada.

Cloramina

Um dos problemas ao usar cloro para tratar a agua é que este se decompõe muito rapidamente. Outra preocupação com o uso de cloro é que podem surgir, na associação com certas matérias orgânicas, trialometanos, uma família de cancerígenos. Consequentemente, muitas companhias mudaram do cloro para a cloramina. A cloramina é um composto que contém cloro e amónia, é muito mais estável do que o cloro.

A cloramina coloca duas significativas dores de cabeça aos aquariofilistas. Primeiro, os únicos produtos neutralizadores de cloro, do tipo tiosulfato de sódio, só neutralizam a parte de cloro, deixando o problema maior: a mortal amónia. As consequências podem ser devastadoras para os peixes. Embora o filtro biológico do aquário converta (eventualmente) a amónia em nitratos, o tempo que demora a fazê-lo pode ser superior à capacidade de resistência dos peixes.

O segundo problema está relacionado com as mudanças de água parciais. Uma das principais razões para efectuar mudanças parciais de água regulares prende-se com a remoção de nitratos que se acumulam. Se a água de substituição contém amónia, está a colocar o azoto novamente no aquário e é impossível reduzir os nitratos abaixo da concentração da torneira. Felizmente, as concentrações da água da torneira são relativamente baixas (1 ou 2 ppm); você terá provavelmente uma concentração muito superior no aquário.

A cloramina pode ser neutralizada com segurança através de produtos como Amquel, que neutralizam ambos os compostos, a amónia e o cloro, das moléculas de cloramina. A amónia neutralizada ainda será convertida para nitritos e nitratos via filtro biológico.

Outro método de neutralizar o cloramina é envelhecer a água à medida que se faz filtragem biológica. Por exemplo, arranje um contentor de lixo (plástico) de tamanho apropriado, encha-o de água, elimine o cloro com tiosulfato de sódio, e então ligue um filtro biológico já estabelecido. Tal como no seu aquário, o filtro biológico converte a amónia em nitrato, após o que pode ser adicionada ao seu aquário com segurança. Note: é necessário juntar tiosulfato de sódio para neutralizar o cloro; senão o cloro mata as bactérias do filtro biológico.

Em alternativa, a amónia pode ser removida filtrando a água através de zeolite ou carvão activado antes de a adicionar ao seu aquário. Nota: há notícias divergentes sobre o sucesso deste método). Se tiver experiências concretas (positivas ou negativas), por favor avise a equipa de manutenção desta FAQ.

Outras impurezas da água a que deve estar atento

Além dos aditivos descritos acima (cloro e cloramina), a água canalizada pode conter outros elementos que o aquariofilista precisará de conhecer. A água em alguns locais contém realmente nitratos. Noutros locais, a água contém elevadas concentrações de fosfatos (1ppm ou mais). Elevada concentração de fosfatos tem sido ligada a problemas com algas. Uma estratégia de controle de algas pode exigir a remoção de fosfatos. Altos níveis de ferro (1ppm ou mais) também têm sido ligados à ameaça das algas. Consulte a secção algas desta FAQ para mais detalhes.

Como saber quais os aditivos usados que a sua companhia de água local

O mais simples é perguntar a quem sabe. Uma loja de peixes local (se pertence ao mesmo concelho) deve ser capaz de o informar. Alternativamente, telefone para o escritório da companhia de água. Peça para falar com o "químico da água", diga-lhe que é um aquariofilista e que quer saber quais são os valores do pH, GH e KH da sua água, bem como a variação das características da água ao longo dos meses. Por fim (nos EUA) se quer mesmo detalhes, peça-lhe para lhe mandarem uma cópia do relatório periódico que fornecem à EPA. Contém uma lista detalhada e exacta do que a sua água contém e em que concentrações (e.g. ferro. nitratos, fosfatos, etc.). Por lei, o relatório está disponível para inspecção publica.

Água do Poço

Pode ser que tenha acesso à água de poço ou furo em vez de água da rede municipal. Uma vantagem é que não tem de lidar com cloro ou cloramina. Por outro lado, a água de poços é frequentemente muito mais dura do que a água disponível através de serviços locais. Além disso a única forma de saber a sua composição (GH, KH, etc.) é efectuar testes. Em alternativa há empresas que efectuam análises detalhadas do seu conteúdo embora essas análises possam ser dispendiosas.

Um dos problemas ao usar água de poços é que frequentemente contém altas concentrações de gases dissolvidos (que podem ser perigosos para os peixes). Por exemplo, a água de poços está frequentemente saturada com CO2, o que baixa o seu pH. Uma vez o CO2 libertado, o pH aumentará. Os peixes não devem estar sujeitos a tais flutuações temporárias do pH. Por uma questão de segurança, areje a água de poços convenientemente várias horas antes de a adicionar ao seu aquário.

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Água Doce: Introdução

O que constitui o sucesso? Sucesso são peixes saudáveis que vivem muito tempo, normalmente acasalando e procriando. Sucesso também significa ter um aquário com um bom aspecto sem ser necessária muita manutenção (i.e. batalhas constantes contra o crescimento excessivo de algas).

Como assegurar-se que o seu primeiro aquário é um sucesso

Ter um aquário bem sucedido não é difícil, nem é essencial muito trabalho, desde que use algum senso comum. Estas directrizes são baseadas parcialmente na ciência por um lado, e por outro na experiência recolhida de muitos aquariofilistas como muitos anos de experiência na "arte de manter peixes". A lista seguinte resume as mais importantes regras para o sucesso. Cada uma é discutida em mais detalhe nas secções subsequentes deste documento.

Tenha paciência.

Comprar um aquário, prepará-lo e enchê-lo de peixes tudo no mesmo dia, embora possível, é o caminho mais certo para o desastre. De facto, preparar e acondicionar o seu primeiro aquário leva perto de dois meses!

Uma grama de prevenção vale um quilo de cura.

Fornecer um ambiente que minimiza o stress dos peixes é a chave do sucesso. À medida que o stress dos peixes aumenta, o seu sistema imunitário enfraquece e estes tornam-se mais susceptíveis de adoecer. Cada vez mais, muitos tratamentos para peixes não resultam muito bem, não valem o dinheiro, e muito frequentemente fazem mais mal do que bem. Muitas vezes, o melhor tratamento para peixes doentes é aliviar o stress da seguinte forma:
  1. faça mudanças parciais de água regularmente,
  2. não dê comida em excesso,
  3. verifique que o sistema de filtragem está funcional,
  4. dê-lhes espaço suficiente para viverem e
  5. mantenha-os com companheiros de aquário compatíveis.
(veja todos os detalhes na secção de stress desta FAQ)

Compreenda e respeite o ciclo do Azoto.

Os peixes produzem resíduos tóxicos (amónia) que tem de ser destruída por bactérias através de filtragem biológica. Muitas mortes de peixes que acontecem a quem tem aquários pela primeira vez são um resultado directo da falta de compreensão do ciclo do azoto e podem evitar-se totalmente. (A secção dedicada ao ciclo do azoto explica como funciona o processo)

Efectue manutenção periódica no seu filtro para o manter limpo.

Filtros sujos (obstruídos) possuem uma eficiência reduzida. No caso da filtragem biológica, um filtro obstruído será incapaz de remover a amónia de modo eficiente, resultando daí stress para os peixes e eventualmente a sua morte. Filtros biológicos à base de esponja limpam-se enxaguando-os suavemente em água do aquário previamente retirada para um balde. Filtros de fundo limpam-se através de aspiração regular do fundo. (Os filtros são assunto breve nesta FAQ, e em mais detalhe na FAQ Filtragem.)

Trate devidamente toda a água da torneira antes de a adicionar ao seu aquário.

As águas municipais contêm aditivos tais como cloro ou cloramina de modo a torná-las seguras para consumo humano. Estas substâncias são tóxicas para os peixes e podem enfraquecer, danificar ou mesmo matar os seus peixes. (Veja a secção Tratamento da água nesta FAQ para mais pormenores)

Compreenda bem a química básica da água.

A química base da água é o pH, a dureza, e o efeito tampão. Não precisa de frequentar nenhum curso de química, mas deve saber o suficiente acerca da química da água e os detalhes da água distribuída na sua região de maneira a manter os seus peixes satisfeitos. Cada localidade possui uma água diferente, e alguns peixes não conseguirão sobreviver na sua água. Pode conhecer os detalhes acerca da água da sua zona numa loja de peixes local, através do uso de Test Kits e a partir de clubes locais de aquariofilia (ou, surpreendentemente, a partir da secção Química desta FAQ).

Mantenha o pH da água do seu aquário estável.

Mudanças súbitas de pH causam stress nos peixes. A água do aquário tem uma tendência natural para se tornar ácida devido à produção de acido nítrico (nitratos) a partir do ciclo do nitrogénio. Manter o pH estável requer ter uma capacidade tampão adequada. Se a sua água é macia, pode precisar adicionar agentes tampão. Leia na secção Química os detalhes.

Evite adicionar químicos que baixem o pH (i.e. "pH-down").

Tais químicos têm frequentemente efeitos colaterais indesejáveis (e.g. estimulam o crescimento de algas). Além disso, em muitos casos (embora os livros e as lojas de aquários o neguem) o pH da água NÃO precisa de ser ajustado para ficar "mais perfeito" para uma espécie de peixes em particular. Se o pH da água da sua torneira se situa entre 6.5 e 7.5, então é perfeito para a maioria dos peixes. (Isto também é abordado na secção Química.)

Obtenha peixes para a sua água.

Seleccione peixes que sejam originários de águas com características semelhantes (pH e GH) às da sua água da torneira. Se tem uma água dura, escolha peixes de água dura, Se tem uma água macia, escolha peixes de água macia. Isto é especialmente importante se a sua água se encontra fora dos limites 6.5-7.5 para o pH. Mudar a dureza natural (ou o pH) da água da torneira pode ser um trabalho complicado e normalmente retira o gozo de ter aquários. Além disso tentativas falhadas de ajustamentos são comuns e muito piores para os peixes do que condições de água quase-ideais. Uma boa forma de descobrir quais os peixes que vivem satisfeitos com a sua água local é confirmar com uma loja de aquários local (ou um clube).

Escolha peixes que caibam no seu aquário.

Seleccione peixes que sejam compatíveis entre si e pense a longo prazo. Aquele peixe de 2 cm parece bonito na loja. Mas o que fará quando ficar com 15 cm e começar a ver os seus companheiros como refeições potenciais? Os peixes têm necessidades mínimas de espaço que dependem do seu tamanho e temperamento. Seleccione peixes cujas necessidades sejam compatíveis com o seu aquário. Certifique-se que o aquário tem esconderijos adequados (e.g. pedras, plantas, troncos, etc.) para os seus habitantes.

Aclimatize devidamente os peixes antes de os colocar no aquário.

(os detalhes são tratados na secção Inserir Peixes. NUNCA junte a água da loja á do seu aquário (pode conter doenças), e se possível, ponha as novas aquisições de quarentena 2 a 3 semanas antes de as colocar no seu aquário.

Efectue mudanças parciais de água regulares.

Mudar 25% da água de 15 em 15 dias tem dois objectivos: dilui e remove os nitratos antes que atinjam níveis perigosos, e substitui elementos residuais e tampão que vão sendo consumidos pelas bactérias, plantas, etc. Por fim as mudanças parciais de água com regularidade ajudam a manter a química da água do aquário próxima da água da torneira. O ultimo benefício é especialmente importante no caso de o seu aquário ser afectado por alguma doença; as mudanças de água são o passo mais importante para controlar as doenças, e grandes mudanças de água não são seguras a não ser que a composição química da água do aquário (e.g. pH e GH) seja semelhante à água da torneira.

Compre apenas em lojas "de confiança".

Infelizmente, muitas lojas de animais estão mais interessadas em ficar com o seu dinheiro do que em vender peixes saudáveis. Vale quase sempre a pena gastar um pouco mais para obter peixes de qualidade. Doenças introduzidas no seu aquário por peixes acabados de comprar podem infectar os outros peixes com resultados catastróficos. Comprar um peixe barato não é grande negócio se o mesmo morrer após um mês. Muitas lojas vão também tentar vender-lhe equipamento e medicamentos que não necessita. A sua melhor defesa é armar-se com conhecimentos de modo a conseguir avaliar os conselhos que lhe derem. Algumas pistas para encontrar lojas "de confiança" encontram-se na secção LOJAS.

O resumo acima serve como guia dos princípios que conduzem à manutenção de peixes saudáveis. Cada um destes tópicos (e muitos outros) é discutido no resto deste documento.

Quanto tempo e esforço são necessários para manter um aquário de peixes?

Para um aquário de 40 a 80 litros, uma vez acondicionado, espere gastar à volta de 30 minutos de 15 em 15 dias fazendo mudanças parciais de água, limpeza geral, etc. Se isto é muito tempo para si, ESQUEÇA ESTE HOBBY! Também vai precisar de alguns minutos uma ou duas vezes por dia para alimentar os peixes, ligar e desligar a luz, etc. Aviso: Muitas pessoas gastam muito mais tempo apenas contemplando o seu aquário e os respectivos habitantes. É claro que este é o ponto central da questão. :-)

Prepare-se para gastar várias horas de pesquisa com o hobby antes de fazer a usa primeira compra. Quanto mais tempo gastar ANTES de comprar o aquário, mais suavemente as coisas correrão. Vá a várias lojas de animais até encontrar uma que pareça de confiança. Visite-as novamente várias vezes. Compre alguns livros de principiante. Leia esta faq de principiante várias vezes.

Muitas pessoas que ficam frustadas com aquários de peixes cometem erros que podiam ter evitado facilmente. A única maneira de evitar os erros é aprender as bases (e.g., o ciclo do azoto) ANTES de colocar peixes no aquário. Há poucas coisas mais irritantes do que ler esta FAQ a correr pela primeira vez, enquanto a 1 metro de distância os seus adorados peixes estão a morrer. Lembre-se: a maior parte dos problemas com aquários são fáceis de prevenir, mas difíceis de lidar após o facto consumado.


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A Água...Qualidade precisa-se





As Razões

Um Aquário equilibrado atrai os olhares e a curiosidade de quem entra em nossa casa, escritório ou empresa, libertando e ao mesmo tempo criando um fascínio e um encanto quase irresistíveis.
Os Peixes ornamentais com as suas muitas cores e formas, juntamente com as verdejantes Plantas, criam um espaço natural, não só decorativo, que oferece ao nosso mundo industrializado e agitado, um porto de abrigo e descanso, propício a momentos de puro prazer visual que origina fugas momentâneas ao nosso dia.
No entanto e para que a Fauna e a Flora do mesmo possam aparecer no seu máximo esplendor, as condições oferecidas pelo Aquário, devem corresponder em larga escala às existentes na Natureza, portanto no Biótopo natural das espécies escolhidas. Mas devo deixar aqui um alerta para a realidade com que nos deparamos: hoje em dia a maioria dos Peixes de água doce são reproduzidos em cativeiro pelo que devem perguntar ao Vosso fornecedor ou analisarem a água dos sacos em que levam os Peixes, de modo a corrigir (se necessário) os parâmetros da água do Aquário.
O equlíbrio biológico e, por consequência, o bem-estar dos Peixes e das Plantas, depende principalmente da qualidade da Água. Assim vou tentar explicar como manter e testar os valores mais importantes da qualidade da Água.


Água da Torneira: ‘Sim’ ou ‘Não’?


As propriedades da água dependem do local onde é recolhida. A água da chuva, inicialmente pura, polui-se na atmosfera, em particular sobre as zonas industriais, ficando carregada de substâncias nocivas. Aquando da infiltração nos solos, a sua somposição química muda novamente, em função das propriedades e grau de poluição das camadas geológicas, onde geralmente se encontram o Sulfato de Cálcio, Carbonato de Cálcio, Carbonato de Magnésio, Cloreto de Sódio e Cloreto de Potássio, entre muitos outros elementos.
O tratamento da Água e as condutas da mesma, acrescentam novas substâncias nocivas para os Peixes, onde se destacam o Cloro, o Cobre e o Zinco. Atendendo a tudo isto, a composição da Água da Torneira vai variando de zona para zona, tendo os processos biológicos e químicos um papel suplementar nas propriedades da mesma. Tenho que deixar aqui outra nota: no Verão ou tempos de pouca Chuva, levam a que muitas vezes as companhias que tratam a Água, lhe acrescentem Amoníaco para além do Cloro o que origina o aparecimento da Cloramina. Tenham o cuidado de verificar se o ou os acondicionadores que usam, são eficazes na eliminação de Cloraminas.


Assim o tratamento, que se designa também por acondicionamento, da Água com produtos de qualidade, é uma das condições essenciais para manter Peixes e Plantas em boas condições.
As marcas actualmente disponíveis (mais do que suficientes) no nosso mercado (e com maior apoio científico), têm dados concretos sobre os cursos de Água dos países de origem e respectivas condições ambientais, o que lhes permitiu criar e comercializar uma vasta gama de acondicionadores, correctores e envelhecedores, no sentido de levar os parâmetros mais importantes da Água, a valores muito próximos dos existentes nos locais de captura (espécies selvagens) das diferentes espécies.



Os Parâmetros
Cada Torneira e consequentemente cada Aquário, tem um conjunto de propriedades químicas particulares. As componentes a seguir indicadas, revestem-se do maior interesse para a estabilidade do Aquário, a saúde dos animais e um crescimento saudável das Plantas.

A Dureza total: dH (escala francesa) gH (escala alemã)
Essencialmente definida pela concentração de sais de Cálcio e Magnésio, o que leva a que quando a concentração destes é elevada, estamos com uma água Dura e quando é baixa teremos uma água Macia.
A dureza total (gH na escala alemã e dH na escala francesa), tem influência nas funções orgânicas de todos os seres aquáticos. Um valor propício à reprodução e manutenção da maioria das espécies oscila entre os 6gH (10dH) e os 16gH (28dH).

A Dureza Carbonatada: kH
Claro que para além dos Sais de Cálcio e Magnésio, anteriormente referidos, todas as águas contêm outros componentes salinos apelidados de Bicarbonatos. O valor kH, na escala alemã, é a do pH, impedindo oscilações bruscas (a queda ácida ou acidificação repentina) controlando pois os valores deste.
Para além desta ligação directa ao índice do pH, a dureza carbonatada influencia o bem-estar de todos os organismos vivos presentes no Vosso Aquário.
Recomendo como valores médios de 3kH (6dHCa) a 10kH (17dHCa).
Nota: dHCa na escala francesa.
O grau de acidez: pH
O pH varia na razão directa de todas as substâncias ácidas ou básicas, dissolvidas na Água, acidificando-a ou alcalinizando-a.
A água quìmicamente pura apresenta um pH igual a 7, sendo este valor designado como Neutro.


Os ácidos e os componentes alcalinos estão portanto em equilíbrio. Quanto mais alta a concentração de ácidos mais baixo é o pH. Quanto mais os componentes alcalinos, mais alto é o pH.
Uma descida súbita do pH, a chamada ‘queda ácida’, pode acontecer numa água Macia, quando os bicarbonatos Tampão se esgotam (kH). O conjunto Peixes > Plantas > Micro-organismos é muito sensível a variações bruscas do pH. Valores oscilando entre os 6,5 e os 8,5 são tolerados pela maioria das espécies de água doce. Na água salgada (que é uma história de outras páginas) devem mantê-lo entre 8,0 e 8,5.
Os Peixes das chamadas ‘águas negras’,preferem valores de 6,0 a 7,5.
Os Peixes Africanos (Percas e Ciclídeos) sentem-se à vontade de 7,5 a 8,5 e um gH elevado.

NH3 * NO2 * NO3
Amoníaco * Nitritos * Nitratos

A urina e as fezes dos Peixes, juntamente com os resíduos das Plantas e da comida, provocam uma série de reacções na água do aquário, que podem ser descritas de uma forma mais ou menos simples. Ora vejamos:
- o primeiro ‘visitante’ é o Amoníaco, tóxico, ou o Amónio, atóxico. Nesta fase o pH tem um papel importante. Desde que se mantenha inferior a 7,5 surgirá o Amónio, mas, se for superior a 7,5 detectaremos a subida do Amoníaco, que como já referido é tóxico para os Peixes. Uma concentração de Amoníaco de 0,1mg/litro já afecta os Peixes mais frágeis. Em concentrações de 0,5 a 1,0mg/litro, os animais podem morrer.

As bactérias do género Nitrosomonas são tão trabalhadoras, que decompõem o Amoníaco ou o Amónio em Nitritos.

- os Nitritos são no entanto igualmente tóxicos e muito nocivos para os Peixes. Precisamos pois de um filtro (ou filtros) biologicamente activo (que deverá conter sera siporax aditivado com sera nitrivec), pois só em Aquários com uma filtragem eficaz se podem conseguir concentrações de Nitritos inferiores ou iguais a 0,1mg/litro. A médio/longo prazo, o teor de Nitritos não deverá ultrapassar as 0,25mg/litro, já que a partir de 0,5mg/litro se torna preocupante para o bem estar e saúde dos animais.

Na última etapa do Ciclo da Decomposição do Azoto, as também muito trabalhadoras bactérias do género Nitrobacter, vão decompor os Nitritos em Nitratos, os quais são relativamente menos nocivos.

- os Nitratos servem, entre outros elementos, como substâncias nutritivas para as Plantas, mas se em concentrações elevadas tornam-se, também eles, perigosos para os animais e favorecem o crescimento de algas (o que pode tornar-se um flagelo).

Quando em quantidade inferior a 25mg/litro, a água não está poluída. Se entre os 25 e os 100mg/litro, particularmente na Água Salgada, aconselho as mudanças parciais de água, de 10% do volume total pelo menos uma vez por semana. A água diz-se muito poluída quando a concentração é superior às 100mg/litro. Neste caso há que ponderar uma lavagem total do aquário e respectivos filtros.


O Dióxido de Carbono: CO2

Um elemento essencial no desenvolvimento das Plantas. No entanto um controle rigoroso da concentração torna-se necessário, pois o risco de intoxicação dos Peixes aumenta. A dose ideal situa-se entre as 5 e as 15mg/litro e repito aqui a noção de que doses mais elevadas durante largos períodos de tempo, afectarão os animais, bem como as bactérias dos filtros biológicos.


O Oxigénio: O2

Eis o elemento mágico do Vosso Aquário. A base da existência dos Peixes e das Plantas. Durante o dia, na presença da Luz, a flora absorve o Dióxido de Carbono (CO2) e liberta o Oxigénio (O2): a Fotosíntese. Os Peixes absorvem o Oxigénio através das guelras (ou brânquias). Ao mesmo tempo todas as bactérias necessitam de Oxigénio, particularmente as que participam no Ciclo da Decomposição do Azoto.

Durante a noite, na ausência da Luz, as Plantas libertam Dióxido de Carbono e consomem Oxigénio. Pode portanto acontecer que, em Aquários mal arejados,em que é pouca a circulação de água, o teor de Oxigénio seja mais baixo de manhã do que à noite. Designarei como Concentração de Saturação a capacidade máxima de absorpção de Oxigénio pela água, que varia com a temperatura e que pode ser quantificada em mg/litro. A concentração não deverá nunca ser inferior a 20% dos valores que a seguir indico como referência. Um baixo teor de Oxigénio e a consequente falta do mesmo, implicará necessariamente uma degradação geral dos Vossos Peixes.

Concentração de Saturação

Valores relativos saturação a 100%

Temperatura------------------------------------mg de O2 por litro
......5ºC.................................................................12,8
.....10ºC.................................................................11,3
.....15ºC.................................................................10,6
.....20ºC..................................................................9,1
.....25ºC..................................................................8,3
.....30ºC..................................................................7,6
.....35ºC..................................................................6,9

Os Testes
Chamada que está a atenção para a importância dos diferentes valores intervenientes na qualidade da água, pois que as necessidades biológicas variam de espécie para espécie, não quero que se assustem com o lado químico do Vosso Aquário!
Hoje em dia, com a oferta de testes e reagentes em separado ou em ‘kit’, analisar a água é quase uma brincadeira de Crianças.
O modo de utilização e leitura dos resultados obtidos, estão pormenorizadamente explicados nos folhetos que geralmente acompanham (ou deviam acompanhar) todos os Testes.
Assim podemos testar a água da torneira, do poço, do lago, do rio, sem perda de tempo e de um modo simples e eficaz.
Consultem o Vosso fornecedor habitual e adquiram aquilo que Vos faz falta! Não esgotem o ‘stock’. Poderão, se forem daqueles Aquariófilos preocupados, adquirir testes de 2 marcas diferentes para compararem resultados e actuar (ou não) de acordo com o que pretendem.

Atitudes a tomar
Não existe nem pode existir uma regra mágica que nos permita obter uma água ideal para o Aquário, pois não há dois Aquários iguais. Cada um representa um espaço vital único no seu género. As razões disto são a diversidade de Plantas e de Peixes, a qualidade ou não da água da torneira e também o tamanho do Aquário.
Por tudo isto mais uma vez Vos recomendamos que peçam conselho ao Vosso fornecedor habitual, que, de acordo com as espécies por Vós escolhidas, Vos dirá quais os valores médios dos diferentes parâmetros que mais convenientes serão para as mesmas.
Caso a água do Vosso Aquário não esteja em condições de receber a Flora ou a Fauna, confiem mais uma vez no Vosso fornecedor. Como referido nas primeiras linhas, se quiserem ‘corrigir e domesticar’ a Vossa água, têm um sem fim de produtos que podem escolher ou que podem escolher por si. Depois é continuar com os que demonstraram o seu real valor.
Mas para tentar racionalizar tudo isto, indico a seguir algumas regras básicas, que se forem seguidas, Vos trarão alguns sorrisos de alegria e a satisfação de terem realizado o Vosso sonho: um Aquário (quase) perfeito!

- renovação parcial de água a intervalos regulares
Hipótese nº1: 10% todas as semanas
Hipótese nº2: 25 a 30% mensalmente

tendo em conta que em qualquer uma das situações a água a utilizar deverá estar já tratada e com valores aproximados ou iguais aos do Vosso aquário.

- certifiquem-se do crescimento das Plantas, pois é sinónimo de consumo de Nitratos. Se recorrerem a adubos, utilizem os isentos de Nitratos e Fosfatos. Retirem as folhas mortas e desistam das Plantas que não se adaptam ao Vosso Aquário.

- mantenham uma filtragem equilibrada de acordo com as necessidades dos hóspedes escolhidos.

- mudem água de imediato no caso de altas concenrações de NH3 (Amoníaco) ou NO2 (Nitritos).

- evitem o excesso de animais.

- não distribuam comida de modo exagerado.

- não se esqueçam que por muitas histórias que Vos contem, quando se instala um Aquário, são precisas de 4 a 6 semanas para que a actividade biológica do filtro (ou dos filtros) esteja quase normal.

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